CENAS DOS ÚLTIMOS EPISÓDIOS:
Olho para o relógio e vi que já não valia a pena voltar ao escritório. Lembrei-me que estava na Rua n.º 5 e corri até à esquina com a Avenida da Liberdade. Lá estava o bendito bar. Letras amarelas diziam "Pastilha Elástica Bar". A cor das letras fez-me lembrar a cor dos cabelos da Sara.
Ep.2 (aceitam-se propostas de nomes para a história)
A luz amarelas do letreiro do bar cegaram-me enquanto passava pela entrada. Já ouvia a música ambiente que o DJ do bar estava a passar. As boas escolhas musicais faziam-me soltar sempre um sorriso. Desta vez era Somebody Get My Mom, dos Bowling For Soup .
O bar estava estranhamente vazio, provavelmente por causa das horas, que ainda era cedo. Pensei em ir jantar em casa e voltar mais tarde, ainda a pensar em reecontrar a linda miúda loira de olhos azuis que encontrei outrora, mas para quê? Chamei o barman e pedi que me fizesse um cachorro quente e uma cerveja. Achei que bastaria, não estava a pensar fazer nenhum esforço. Nem fui levar a minha máquina fotográfica ao carro, ficou ali mesmo, na cadeira ao lado, a ver-me comer rapidamente o delicioso cachorro quente. Peguei num guardanapo e limpei os dedos e a boca, no preciso momento em que a porta se abre para entrar a tão esperada deusa, a Sara. Pensei para mim "belo timing, eu aqui a limpar-me, ela entra e vê-me neste lindo estado! Que vergonha!", mas enfim, recompus-me e apressei-me em ir cumprimentá-la. Um sorriso dela fez-me esquecer todos os problemas que havia tido há algumas horas no escritório do Páginas Brancas. Convidei-a a sentar-se na minha mesa, onde ficamos a falar durante horas sobre música, sobre o meu emprego, até sobre comida! Ofereci-me para a levar a casa e ela aceitou só depois de uma leve insistência minha. Entramos no meu Renault Clio de 94. Ela olhou-me de lado e eu disse-lhe:
- Que foi? Os fotojornalistas não ganham assim tão bem!
Ela riu-se. E que bem que me soube ouvi-la a rir-se, como um banho de água fria no pico do Verão. Chegámos a casa da Sara e ainda ficámos na conversa. Conversa puxa conversa e o inesperado - e mais desejado por mim - acontece: beijámo-nos, intensamente, indescritivelmente. Sinceramente nem sei o que dizer daquele beijo, tudo deixou de existir enquanto se dava aquela clara demonstração de amor e afecto entre dois seres humanos. No fim, os dois estávamos envergonhados, sem saber o que dizer. Até que eu saí-me com uma coisa assim deste género:
- Vemo-nos amanhã?
- Claro, na mesa do costume no Pastilha.
Eu sorri, enquanto ela saía do carro e entrava em casa. Pus o rádio leitor de cd's aos berros, com o meu cd dos Red Hot Chili Peppers a dar. A música era Dani California , e cantei-a alto, bem alto.
Continua.