sexta-feira, 18 de março de 2011

Ep. 2



CENAS DOS ÚLTIMOS EPISÓDIOS:

Olho para o relógio e vi que já não valia a pena voltar ao escritório. Lembrei-me que estava na Rua n.º 5 e corri até à esquina com a Avenida da Liberdade. Lá estava o bendito bar. Letras amarelas diziam "Pastilha Elástica Bar". A cor das letras fez-me lembrar a cor dos cabelos da Sara.

Ep.2 (aceitam-se propostas de nomes para a história)
A luz amarelas do letreiro do bar cegaram-me enquanto passava pela entrada. Já ouvia a música ambiente que o DJ do bar estava a passar. As boas escolhas musicais faziam-me soltar sempre um sorriso. Desta vez era Somebody Get My Mom, dos Bowling For Soup .
O bar estava estranhamente vazio, provavelmente por causa das horas, que ainda era cedo. Pensei em ir jantar em casa e voltar mais tarde, ainda a pensar em reecontrar a linda miúda loira de olhos azuis que encontrei outrora, mas para quê? Chamei o barman e pedi que me fizesse um cachorro quente e uma cerveja. Achei que bastaria, não estava a pensar fazer nenhum esforço. Nem fui levar a minha máquina fotográfica ao carro, ficou ali mesmo, na cadeira ao lado, a ver-me comer rapidamente o delicioso cachorro quente. Peguei num guardanapo e limpei os dedos e a boca, no preciso momento em que a porta se abre para entrar a tão esperada deusa, a Sara. Pensei para mim "belo timing, eu aqui a limpar-me, ela entra e vê-me neste lindo estado! Que vergonha!", mas enfim, recompus-me e apressei-me em ir cumprimentá-la. Um sorriso dela fez-me esquecer todos os problemas que havia tido há algumas horas no escritório do Páginas Brancas. Convidei-a a sentar-se na minha mesa, onde ficamos a falar durante horas sobre música, sobre o meu emprego, até sobre comida! Ofereci-me para a levar a casa e ela aceitou só depois de uma leve insistência minha. Entramos no meu Renault Clio de 94. Ela olhou-me de lado e eu disse-lhe:
- Que foi? Os fotojornalistas não ganham assim tão bem!
Ela riu-se. E que bem que me soube ouvi-la a rir-se, como um banho de água fria no pico do Verão. Chegámos a casa da Sara e ainda ficámos na conversa. Conversa puxa conversa e o inesperado - e mais desejado por mim - acontece: beijámo-nos, intensamente, indescritivelmente. Sinceramente nem sei o que dizer daquele beijo, tudo deixou de existir enquanto se dava aquela clara demonstração de amor e afecto entre dois seres humanos. No fim, os dois estávamos envergonhados, sem saber o que dizer. Até que eu saí-me com uma coisa assim deste género:
- Vemo-nos amanhã?
- Claro, na mesa do costume no Pastilha.
Eu sorri, enquanto ela saía do carro e entrava em casa. Pus o rádio leitor de cd's aos berros, com o meu cd dos Red Hot Chili Peppers a dar. A música era Dani California , e cantei-a alto, bem alto.

Continua.

quarta-feira, 16 de março de 2011

História Sem Título Ep.1

      Conheci uma rapariga. Ouve, a sério que conheci. Chama-se Sara e é só 2 anos mais nova que eu, tem 22. Ela é simpática, é querida. É alta, é loira de olhos azuis que hipnotizam.
      Já faz um mês que tivemos o nosso primeiro encontro e acho que estamos os dois interessados um no outro. Até já nos beijá-mos! Desde o dia do beijo que temos saído todos os dias, temos ido sempre ao mesmo bar, depois do jantar. Somos clientes habituais do Pastilha Elástica, na esquina da Rua n.º 5 com a Avenida da Liberdade. É um bar com bom ambiente, passam boas músicas lá. Da última vez que me lembro, estava na habitual mesa do canto do bar com a Sara e estava a passar lá muito no fundo a Basket Case dos Green Day. Sempre foi uma música de que gostei muito, e agora gosto ainda mais.
      Desde o primeiro dia que conheci a Sara que houve logo alguma coisa que me atraíu nela. Talvez os seus magníficos cabelos dourados debaixo da luz ambiente do Pastilha Elástica, não sei. Mas não me vou esquecer desse dia, nunca:
      - Posso sentar-me? - disse eu, enquanto me aproximava do balcão do bar.
      - Claro que sim - disse-me ela, com uma voz que me encantou logo na primeira palavra.
      - Posso perguntar-lhe a sua bebida preferida? - perguntei eu, com a intenção de lhe pagar uma bebida.
      Perguntas e respostas se sucederam depois de lhe ter pago um Martini. Ela agradeceu-me insistentemente, e disse-me à saída do Pastilha que não se divertia assim há algum tempo. Naquele momento nada me interessava, só pensava que tinha conhecido uma miúda que, à partida, seria "areia a mais para a minha camioneta". Fiquei tão confiante e a pensar nisso que me esqueci de lhe pedir o número de telemóvel ou de combinar outra noite como aquela. Cheguei ao meu prédio, e tentei abrir a porta com uma cabeçada. Como é que me fui esquecer de lhe pedir o número? Tentei ignorar essa minha idiotice e fui dormir, com a ideia que a dormir não faço mais nada estúpido.
      Dia seguinte, mais um dia de trabalho. Nem sempre gostei de trabalhar na redacção do jornal. No início não era bom, ficava só com notícias pouco relevantes. Mas agora, sou fotojornalista das notícias que fazem manchete no Páginas Brancas. E que orgulho que é ter uma fotografia minha na primeira página! Tudo perfeito na redacção, excepto uma coisa: o cabrão do meu chefe. O fundador do Páginas Brancas era um homem alto, com bigode e óculos, nariz grande que lhe ocupava meia cara. Licensiado em jornalismo - ou alguma coisa parecida - o Dr. Álvaro era sempre um homem carrancudo, nunca se ria. Ficava sempre fechado no seu escritório de chefe. Só saía para dar trabalho:
      - Preciso de um fotógrafo e de um jornalista para um homicídio na Rua n.º 5!
Que alívio, sair daquele escritório para fazer alguma coisa realmente importante: fotografar. Ainda por cima um homicídio. Adrenalina de cadáveres. Vamos embora!
Cheguei à vivenda Vista Alegre na Rua n.º 5 e deparei-me logo com a algazarra do costume: carros de polícia e fitas amarelas a bloquear o acesso das pessoas ao local do crime. Impressionava-me que as pessoas atrás daquelas fitas eram sempre as mesmas coscovilheiras das ruas, que comentavam constantemente a vida dos outros. Mas enfim, nada a que não esteja já habituado.
      Foi-me dito que os agentes da brigada de homicídios não me deixavam fotografar o corpo. Nem estava à espera de o fotografar, só queria fotografar o responsável, mas visto que estavam a trabalhar lá no morto, foi uma saída inútil. Sempre foi melhor que estar a olhar para a cara do meu chefe, que às vezes até metia medo.
      Olho para o relógio e vi que já não valia a pena voltar ao escritório. Lembrei-me que estava na Rua n.º 5 e corri até à esquina com a Avenida da Liberdade. Lá estava o bendito bar. Letras amarelas diziam Pastilha Elástica Bar. A cor das letras fez-me lembrar a cor dos cabelos da Sara.

Continua.